sexta-feira, 2 de março de 2012

A inqusição


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Tribunal da Igreja Católica instituído no século XIII para perseguir, julgar e punir os acusados de heresia. A Santa Inquisição foi fundada pelo Papa Gregório IX (1148-1241) em sua bula Excommunicamus, publicada em 1231. Heresias são doutrinas ou práticas contrárias ao que é definido como matéria de fé. Na época inicial da Igreja elas eram punidas com a excomunhão. Quando no século IV o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, os heréticos passam a ser perseguidos como inimigos do estado.
Na Europa , entre o século XI e XV, as heresias são geradas principalmente pelo desenvolvimento cultural, acompanhado de prosperidade econômica e crescimento urbano. As reflexões filosóficas e teológicas da época produzem conhecimento que contradizem a concepção de mundo defendida até então pelo poder eclesiástico. Além disso, surgem movimentos cristãos, como os cátaros em Albi, e os valdenses em Lyon, no sul da França, que pregam a volta do cristianismo às origens, defendendo a necessidade de a Igreja abandonar suas riquezas. Em resposta a essas heresias, milhares de albigenses são liqüidados por exércitos papais, entre os anos de 1208 e 1229.
A Inquisição é criada dois anos depois. A responsabilidade pela ortodoxia da religião passa dos bispos aos inquisitores, sob a direta jurisdição do Papa, e são estabelecidas punições severas. As penas podem variar, desde a obrigação de fazer uma abjuração pública ou uma peregrinação a um santuário até o confisco dos bens e a prisão em cadeia. A pena mais severa é a prisão perpétua, mas as autoridades civis automaticamente a converte em execução pública na fogueira ou na forca. Os heréticos não podem recorrer ao direito de asilo, e em geral, duas testemunhas constituem suficiente prova de culpa.
Em 1252, o Papa Inocêncio IV sanciona o uso da tortura como método de obtenção da confissão de suspeitos. As condenações dos culpados são lidas numa cerimônia pública no fim dos processos. É o chamado auto-de-fé. Nos séculos XIV e XV, os tribunais da Inquisição diminuem sua atividade e são recriados sob a forma de uma Congregação da Inquisição contra os movimentos da Reforma Protestante e contra as "heresias" filosóficas e científicas saídas do Renascimento. Vítimas notórias da fogueira da Inquisição são a heroína francesa Joana D'Arc (1412-1431), executada por declarar-se mensageira de Deus e usar roupas masculinas, e o italiano Giordano Bruno (1548?-1600), considerado o pai da Filosofia moderna, condenado por concepções intelectuais consideradas contrárias às aceitas pela Igreja.
Uma forma ainda mais violenta da Inquisição surge surge em 1478, na Espanha, a pedido dos reis católicos Fernando e Isabel, contra os judeus e muçulmanos, que são convertidos pela força ao catolicismo.

"Nunca os seres humanos se atiraram mais cegamente uns contra os outros, nunca o cristianismo se desacreditou mais frente ao mundo inteiro, como no processo contra as bruxas."


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 Joana D'Arc na Prisão - Óleo do pintor francês Paul Delaroche.
À frente de um pequeno exército, a camponesa Joana D'Arc resgata o sentimento    patriótico francês no conflito contra ingleses e borgonheses. Sua ação assegura o êxito da França na Guerra dos Cem Anos. Em 1429, escolta o rei francês até Reims, para ser sagrado como Carlos VII. No ano seguinte, cai nas mãos dos ingleses, que a viam como uma enviada do diabo, e a condenam à fogueira como herege. O rei francês nada fez para salvá-la. Joana D'Arc morreu devorada pelas chamas em 30 de maio de 1431, aos 19 anos. Em 1909 é beatificada e em 1920 é declarada santa pelo Papa.

          
O Processo de Galileu
Autor da fundamentação científica da teoria heliocêntrica de Copérnico, publicada em 1632, na obra Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas do Mundo, o físico italiano Galileu Galilei (1564-1652) é obrigado a renegar suas descobertas em 1633, sob ameaça de excomunhão pelo Tribunal da Inquisição. Após uma nova investigação iniciada em 1979, o Papa João Paulo II reconhece, em 1992, o erro da Igreja Católica.
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Os perseguidos
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a) Os Excomungados
b) Os Simoníacos
c) Quem se opuser à igreja de Roma e contestar a autoridade que ela recebeu de Deus
d) Quem cometer erros na interpretação das sagradas escrituras
e) Quem criar uma nova seita ou aderir a uma seita já existente
f) Quem não aceitar a doutrina Romana no que se refere aos sacramentos
g) Quem tiver opinião diferente da igreja de Roma sobre um ou vários artigos de Fé
h) Quem duvidar da fé Cristã

As torturas
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A Inquisição usava como método de obtenção de confissão a tortura, e usada em alguns casos ao extremo, levando o torturado à morte. Segundo Enry Thomas, grande historiador norte-americano, poderia ser escrito um livro somente sobre as torturas empregadas pela inquisição, embora pouco agradável. Vamos colocar apenas quatro:
"O prisioneiro, com as mãos amarradas para trás, era levantado por uma corda que passava por uma roldana, e guindado até o alto do patíbulo ou do teto da câmara de tortura, em seguida, deixava-se cair o indivíduo e travava-se o aparelho ao chegar o seu corpo a poucas polegadas do solo. Repetia-se isso várias vezes. Os cruéis carrascos, as vezes amarravam pesos nos pés das vítimas, a fim de aumentar o choque da queda."
"Depois havia a tortura pelo fogo. Colocavam-se os pés da vítima sobre carvão em brasa e espalhava-se por cima uma camada de graxa, a fim de que este combustível estalasse ao contato com o fogo."
Os inquisidores estavam ali enquanto o fogo martirizava a vítima, e incitavam-na, piedosamente, a aceitar os ensinamentos da Igreja em cujo nome ela estava sendo tratada tão delicadamente e tão misericordiosamente. Para que houvesse um contraste com a tortura pelo fogo, também praticavam a da água:
"Amarrando as mãos e os pés do prisioneiro com uma corda trancada que lhe penetrava nas carnes e nos tendões, abriam a boca da vítima a força despejando dentro dela água até que chegasse ao ponto de sufocação ou confissão."
Todas as imaginações bárbaras do espírito de Dante, quando descreveu o Inferno, foram incorporadas em máquinas reais que cauterizavam as carnes, esticavam os corpos e quebravam os ossos de todos aqueles que recusavam crer na branda misericórdia dos inquisidores. De acordo com a lei, tortura só podia ser infligida uma vez, mas essa regulamentação era burlada facilmente... quando desejavam fazer repetir a tortura, mesmo depois de um intervalo de alguns dias, infringiam a lei, não alegando que fosse uma repetição, mas simplesmente uma continuação da primeira tortura.... Esse jogo de palavras dava margem a crueldade e ao zelo desenfreado dos inquisidores.

As mulheres em chamas
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As pilhas de lenhas e gravetos já estavam acesas e a multidão inquieta, aguardava o início do ritual que conhecia tão bem. Afinal, execuções eram espetáculos imperdíveis, que atraíam a atenção de pessoas vindas de vários cantos. Em meio ao ruído abafado dos comentários sobre os horrores que havia cometido, surgiu enfim a condenada. A turba, que já estava agitada, aproveitou para liberar a tensão reprimida: objetos, palavras de ódio, risos e piadas partiam de todas as direções contra a terrível criatura. Não houve muitas delongas. A sentença foi lida rapidamente, o carrasco, num gesto piedoso, estrangulou a condenada para que não enfrentasse as chamas viva e, em poucos minutos, seu corpo ardia, diante da aclamação selvagem da assistência. Durante mais de 300 anos, cenas como essa se tornaram corriqueiras nas praças públicas de boa parte da Europa e o caminho da fogueira se transformou no destino de milhares de mulheres. Nuas, montadas em vassouras, aterrorizando cidades, aldeias e castelos, no imaginário popular e religioso da época, as bruxas estavam por toda parte, semeando o pavor. A perversidade feminina campeava solta, a serviço dos mandos do demônio e precisava ser contida qualquer custo.De 1450 a 1750, poucas pessoas ousariam contradizer essa doutrina, repetida em tom de ameaça nos púlpitos dos pregadores católicos, assim como nos sermões protestantes depois da Reforma religiosa de Martinho Lutero no século XVI. Bruxaria era uma calamidade tão real quanto tempestades ou pestes, e intimamente ligada à natureza feminina. Com exceção de Portugal e Espanha, onde os principais perseguidos eram cristãos novos e judeus, em quase toda a Europa a porcentagem de mulheres excedeu 75% dos casos.

Em algumas localidades, como o condado de Namur (atual Bélgica), elas responderam por 90% das acusações. Estima-se que 100 000 processos foram instalados pelo continente afora e pelo menos 60 000 vidas se perderam em meio às chamas.Foi em plena Idade Moderna - a mesma que presenciou a descoberta de um novo mundo com as grandes navegações, a ascensão da burguesia comercial, o fim do domínio feudal e a formação dos primeiros Estados nacionais europeus - que o temor às forças do mal deixou o campo da crendice popular para se tornar alvo de uma perseguição sistemática de tribunais leigos, religiosos e da Inquisição - sob controle papal.Não que as fogueiras tenham sido estranhas à sociedade medieval. A Idade Média também presenciou exibições do poder purificador das chamas, a mais notável delas, sem dúvida, aquela que consumiu a vida da jovem Joana d'Arc em 30 de maio de 1431, na cidade de Rouen, então sob domínio inglês. Heroína nacional, Joana ficou famosa depois que conduziu o exército francês à vitória sobre os ingleses em Orléans e deu início à revanche de seu país na Guerra dos Cem Anos (1337-1453), até aquele momento vencida fragorosamente pelos britânicos. Em 1430, quando caiu prisioneira nas mãos do duque de Borgonha, aliado ao rei inglês Henrique V, seus inimigos aproveitaram a fama das visões que ela costumava ter desde pequena para levá-la à fogueira, mesmo sabendo de sua extrema devoção religiosa. Nesse caso, porém, o cunho político da condenação era tão óbvio, que antes do final daquele século ela seria reabilitada e em 1920 finalmente transformada em santa.

Para bruxas menos famosas, no entanto, a chegada da Idade Moderna trouxe uma mudança radical na atitude da igreja e dos tribunais em relação ao universo da superstição, do paganismo e do mito com o qual, havia mais de 1500 anos, a Europa convivia. Na mitologia romana, Diana, deusa dos bosques e dos animais, já costumava guiar amazonas noturnas em cavalgadas celestes. Entre as crenças imemoriais germânicas, acreditava-se que figuras ameaçadoras, conhecidas como streghe, se reuniam na floresta em torno de caldeirões para realizar seus rituais. Depois se volatilizavam e invadiam as casas para chupar a vitalidade das crianças. Mas em meio à insegurança da aurora da modernidade, um tempo marcado por mudanças e desgraças contentes como fomes, pestes, guerras e conflitos religiosos, boa parte dessa tradição fantasiosa do passado acabou associada à certeza de que o demônio e suas seguidoras estavam determinados a dominar o mundo. Feitiços e mulheres voadoras tornaram-se, da noite para o dia parte te de uma grande conspiração demoníaca. Encantos e ungüentos - chamados na época de maleficia - que antes serviam para ajudar as pessoas se transformavam em passaporte certo para a morte.Não era preciso muito para provar que a ação infernal estava em andamento. Além das tradicionais acusações de possessões diabólicas, crises políticas e sociais, calamidades naturais ou qualquer outro acontecimento anormal eram capazes de detonar a mortandade. Em Trier, na França, uma feroz epidemia de processos contra as bruxas ocorreu entre 1580 e 1599, quando duas grandes colheitas foram dizimadas por alterações climáticas. No principado alemão de Ellwagen, em 1611, em Genebra em 1530,1545,1571 e 1615 e em Milão em 1630, para citar uns poucos exemplos, centenas foram condenadas à morte após um surto de peste. No século XVII, em Cambrai, também na Franca a instalação de novas indústrias no campo gerou uma onda de ansiedade entre os camponeses que logo desembocou numa grande caça.Algumas alegações contra a bruxaria eram tão descabidas, que só mesmo o clima de paranóia coletiva explicava a relação: em 1590, depois que uma tormenta no Mar do Norte destruiu um dos navios da comitiva de Jaime VI da Escócia e de sua noiva, Ana da Dinamarca, os dois países iniciaram uma cruel perseguição a feiticeiras. As grandes caçadas vinham assim: como tempestades de verão, chegavam avassaladoras e de surpresa, mas tinham curta duração. Quase sempre, após um período de frenética perseguição, as comunidades se aquietavam durante os anos seguintes.

Era como se tivessem se livrado de um cancro.Escritos da época registram o quase inacreditável. Na diocese italiana de Como, 1000 execuções em um ano. Em Toulouse, na França, 400 cremações são contadas em um único dia. No arcebispado francês de Trier, em 1585, 306 bruxas delataram cerca de 1500 cúmplices. Embora a maior parte das acusadas tenha escapado à morte, isso não impediu que duas aldeias da região ficassem à beira do extermínio: sobraram apenas duas mulheres em cada uma delas.O mais impressionante é que a maior parte dessas mulheres, e mesmo dos homens, condenadas chegaram às fogueiras por confissão própria, graças à tortura. Durante esses quase três séculos de morte, conseguir uma confissão era apenas questão de tempo. Quando acontecia de o acusado resistir muito ,durante uma sessão de maus tratos, isso só aumentava a convicção de culpa dos interrogadores: afinal, tamanha resistência só podia ter por trás o auxílio de forças que não eram apenas naturais. Hoje, sabe-se que o uso indiscriminado desse instrumento macabro se confunde com o próprio mapeamento da caça às bruxas pela Europa.O predomínio do temido Tribunal de lnquisição, por exemplo, serviu para atenuar os casos de condenação à morte de bruxas nos países da Península Ibérica e na Itália. Embora tenha ficado famoso na Idade Média pela prática da tortura, na época em que começou a grande repressão européia, a partir do século XV, os inquisidores já haviam elaborado uma extensa reforma jurídica que garantia não só assistência legal aos acusados como restringia a ação dos torturados a casos muito especiais.

Na Inglaterra, onde suspeitos de bruxaria só podiam ser submetidos à tortura com autorização dos conselhos superiores de Justiça, a caça às bruxas também teve pouca expressão. Já na Alemanha, dividida em dezenas de ducados e principados independentes política e judicialmente, a caça às bruxas ganhou proporções assustadoras. Nada menos de 50% dos processos contra elas aconteceram em terras germânicas, e a maior parte resultou em morte.Às vezes, a descoberta de uma fraude conseguia evitar que a perseguição chegasse a um final dramático. Em 1633, o jovem inglês Edmund Robinson denunciou uma mulher que o teria levado a um sabá de bruxas, onde estavam reunidas cerca de sessenta feiticeiras. O menino deu o nome de dezessete delas, todas imediatamente presas e condenadas. Algumas dúvidas sobre o depoimento, no entanto, levaram o bispo de Chester a interrogar Edmund e ele acabou admitindo ter forjado a história por sugestão do pai, que havia indicado todos os nomes "por inveja, vingança e desejo de tirar vantagem"', descobriram os juízes. Na Escócia, o ensaio de uma grande repressão nacional em 1661 entrou em colapso quando os eméritos caçadores de bruxas John Kincaid e John Dick foram flagrados dando picadas em mulheres acusadas de bruxaria: nos tribunais, essas pequenas marcas eram a prova de que elas haviam feito pacto com o diabo.Foram poucas, porém, as caças detidas por evidência de fraudes. Normalmente, quando uma perseguição se instalava, nada conseguia detê-la e o pânico tomava conta da população. A princípio, todos estavam sob suspeita e a melhor defesa era o ataque. Uma vez iniciada a caça, delações não paravam mais.

Assustadas com a perseguição, multas pessoas logo se punham a entregar as vizinhas na tentativa de livrar a própria pele de potenciais acusações. Cada possível bruxa levada a julgamento, por sua vez, não tardava a incriminar mais uma lista de acusadas num efeito dominó que levava grandes levas de pessoas diante dos juízes.Cenas e relatos como esses não só foram realidade como contavam com uma robusta fundamentação teórica de uma obra sinistra. Publicado em 1486, o livro Malleus Maleficarum, escrito pelos inquisidores papais alemães Heinrich Kramer e James Sprenger, foi um eficaz instrumento nos tribunais para consolidar a crença de que uma grande conspiração arquitetada por Satã e suas seguidoras, as bruxas, tomava conta do mundo. Até o final do século XV, o manual já era um best seller, recordista absoluto entre qualquer livro anterior ou posterior sobre demonologia, com mais de uma dúzia de edições.

Na detalhada obra, que explicava desde os feitiços mais comumente praticados até como localizar a presença das malignas criaturas no seio da sociedade, Kramer e Sprenger não pouparam esforços para mostrar que a mesma mulher que provocou a expulsão do homem do paraíso ainda era uma ameaça presente. O velho temor católico de monges e padres celibatários estava mais forte do que nunca. "A perfídia é mais encontrada nas pessoas do sexo frágil do que nos homens" garantiam os dois. Bruxas eram o mal total: renunciavam ao batismo, dedicavam seus corpos e almas ao demônio e, suprema lascívia, costumavam manter relações sexuais com ele. Principalmente durante os sabás, reuniões em que as forças do mal se reuniam para banquetear-se com criancinhas não batizadas e que sempre terminavam em fabulosas orgias. Testemunhos da época davam notícia de sabás reunindo até 1000 bruxas.

Para provar a propensão natural da mulher à maldade não faltavam argumentos aos autores do Malleus. A começar por "uma falha na formação da primeira mulher, por ser ela criada a partir de uma costela recurva, ou seja, uma costela no peito, cuja curvatura é, por assim dizer contrária à retidão do homem. A própria etimologia da palavra feminina confirmava essa fraqueza original: segundo eles, femina, em latim, reunia em sua formação as palavras fide e minus, o que quer dizer menos fé.Defender idéias assim não era exclusividade dos dois inquisidores alemães. A aversão à mulher como ser mais fraco e, portanto, mais propenso a sucumbir à tentação diabólica era moeda corrente em todas as regiões da Europa - dos pequenos vilarejos camponeses aos grandes centros urbanos. Nos sermões de padres por toda a Europa, proliferava a concepção de que a bruxaria estava ligada à cobiça carnal insaciável do "sexo frágil", que não conhece limites para satisfazer seus prazeres. Com seu "furor uterino", para o homem a mulher era uma armadilha fatal, que podia levá-lo à destruição, impedindo-o de seguir sua vida tranqüilamente e de estar em paz com sua espiritualidade.

O clima de desconfiança em relação às mulheres teve também predileções profissionais. Quando não era o caso de grandes perseguições orquestradas para expurgar males como a peste, certos ofícios tipicamente femininos tinham precedência na lista de denúncias. Curandeiras, vitais para uma sociedade onde a medicina ainda era uma ciência incipiente, tornavam-se herejes e apóstatas da noite para o dia Cozinheiras também viviam sob constante desconfiança, assim como as parteiras.Acusadas freqüentemente de batizar os recém-nascidos em nome do diabo ou de matá-los para usar seus corpos em rituais, elas foram vítimas de anos de suspeita acumulada, numa época em que a taxa de mortalidade infantil era altíssima Em 1587, a parteira alemã Walpurga Hausmannin, foi processada por ter causado a morte de quarenta crianças, algumas com até 12 anos. Entre os métodos que ela empregava, estavam o estrangulamento, esmagamento de cérebro da criança no parto e aplicação de "um ungüento do diabo sobre a placenta", de modo que a mãe e a criança morressem juntas. Seu destino foi a fogueira. O mesmo de uma parteira húngara, que em 1728 conseguiu uma marca duvidosa, mas perfeitamente factível para seus contemporâneos: ela morreu queimada por ter batizado nada menos do que 2000 crianças em nome do demônio.Para quem se acostumou a relacionar a figura das bruxas a personagens pitorescas de contos da carochinha - como a madrasta de Branca de Neve ou a fada malvada de Cinderela -, às vezes fica difícil acreditar em histórias assim. Mas elas existiram e deixaram em seu rastro uma cruel realidade da morte de milhares de mulheres inocentes em fogueiras piamente acesas para limpar o mundo.

A identidade com o pecado original, principalmente na história do cristianismo, foi um fardo pesado para a mulher até o século XVII

Desde os primeiros eremitas cristãos, nos desertos da Síria é do Egito, a busca da austeridade religiosa pelo isolamento ascético tornou-se não só uma regra obrigatória para o aprimoramento espiritual, mas também consagrou o papel da mulher como a principal tentação mundana, capaz de afastar o homem do caminho da purificação. Uma norma que, na Europa, começaria a se consagrar a partir do século VI, quando São Bento de Nursia fundou o mosteiro de Monte Cassino, na Itália, e deu início ao movimento monástico beneditino, que marcaria profundamente a atitude religiosa do continente. 

As mulheres medievais


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Texto de Lady Marged, com base em diversas fontes bibliográficas
Na Antigüidade, a sociedade era matriforcal, ou seja, o nome e os bens de família eram passados de mãe para filha. A mulher era quase uma figura divina, admirada; pois seu ventre era capaz de gerar a vida, e isso era algo espetacular para os homens primitivos. Porém, com o passar do tempo, a figura do homem começou a se relevar, até o momento em que se proclama ser superior em relação à mulher.
Isto torna-se bastante evidente no período denominado Idade Média, também conhecido por "Idade das Trevas". Essa época foi marcada pela consolidação e expansão da fé cristã pelo Império Romano, dando à Igreja Católica um poder extremamente grande que controlava a vida e a mentalidade das pessoas, principalmente os simples camponeses, grandes massas de pessoas que tinham uma "fé cega", que viviam temendo o inferno e o diabo.

A vida das mulheres medievais não era fácil. De acordo com a classe social a que pertenciam suas funções variavam. Nas classes mais altas, as mulheres tomavam conhecimento em política, economia e até em disputas territoriais. As mulheres dos senhores feudais eram responsáveis pela organização do castelo; supervisionavam tudo, desde a cozinha até a confecção de vestimentas. Elas tinham que saber como preservar a carne e alimentos e também coordenavam todos os empregados. Além disso, tinham que estar preparadas para defender o castelo na ausência de seu marido. As camponesas trabalhavam junto com seus maridos nas terras do senhor feudal e, além disso, ainda tinham que cuidar dos afazeres domésticos.
As mulheres não tinham muitas opções: ou se casavam, ou iam para os conventos. Entretanto, o convento não era para qualquer uma, e sim, para uma minoria da alta classe que tinha que pagar uma taxa bastante cara para se tornar uma freira. A maioria porém, estava destinada ao casamento e a uma vida submissa ao marido. As meninas eram educadas somente para este fim: serem boas esposas.
O casamento era arranjado pelo pai quando sua filha ainda era criança. A mulher era como uma propriedade, usada para obter vantagens. Os casamentos geralmente visavam o aumento de terras. Nas classes sociais mais altas, as meninas eram casadas com a idade de oito anos. A mulher era objeto de seu marido, devendo a este obediência e fidelidade. Dirigia-se a ele com formas de tratamento respeitosas como "meu amo e senhor". Era permitida a agressão física a mulheres quando o marido achasse que ela o havia desobedecido e as histórias de mulheres que sofriam agressões eram contadas nas vilas em tom humorístico. As agresões não podiam causar a morte nem incomodar os vizinhos, entretanto, em caso de adultério flagrante, o marido tinha o direito até mesmo de matar a própria esposa. A lei não poderia intervir em nada.
Todas as mulheres deveriam aprender sobre a cura e medicina familiar. Mas não deveriam se aprofundar ou aprender muito sobre a cura, pois seriam consideradas bruxas; uma verdadeira contradição.
Como se tudo isso não fosse o suficiente, durante a era das fogueiras, o Tribunal do Santo Ofício condenou milhares de pessoas à morte, a maioria mulheres inocentes. Estas eram acusadas de bruxaria, muitas vezes, por inveja de outros ou por serem mulheres solteiras e solitárias. O livro Malleus Maleficarum de 1486, escrito por inquisidores alemães, dizia que as bruxas armavam uma conspiração para dominar o mundo. A obra também explicava como localizar a presença de bruxas e identificar feitiços. Como as mulheres tinham que saber um pouco sobre a cura, muitas delas, além de parteiras e cozinheiras, também foram acusadas de bruxaria e condenadas à fogueira.
Para provar a propensão natural da mulher à maldade não faltavam argumentos aos autores do Malleus. A começar por uma falha na formação da primeira mulher, por ser ela criada a partir de uma costela recurva, ou seja, uma costela no peito, cuja curvatura é, por assim dizer contrária à retidão do homem. A própria etimologia da palavra feminina confirmava essa fraqueza original: segundo eles, femina, em latim, reunia em sua formação as palavras fide e minus, o que quer dizer menos fé.Defender idéias assim não era exclusividade dos dois inquisidores alemães. A aversão à mulher como ser mais fraco e, portanto, mais propenso a sucumbir à tentação diabólica era moeda corrente em todas as regiões da Europa - dos pequenos vilarejos camponeses aos grandes centros urbanos. Nos sermões de padres por toda a Europa, proliferava a concepção de que a bruxaria estava ligada à cobiça carnal insaciável do "sexo frágil", que não conhece limites para satisfazer seus prazeres. Com seu "furor uterino", para o homem a mulher era uma armadilha fatal, que podia levá-lo à destruição, impedindo-o de seguir sua vida tranqüilamente e de estar em paz com sua espiritualidade.
A mulher, apesar de trabalhar tanto quanto o homem estava sempre em grau de inferioridade. A identidade do pecado original, principalmente na história do cristianismo, foi um fardo pesado para a mulher até o século XVIII. Desde os primeiros cristãos, a busca da austeridade religiosa tornou-se não só uma regra para o aprimoramento espiritual, mas também consagrou o papel da mulher como a principal tentação mundana, capaz de afastar o homem do caminho da purificação. Uma norma que na Europa, a partir do século VI, quando São Bento de Nursia fundou o mosteiro de Monte Cassino na Itália, deu início ao movimento monástico beneditino que marcaria profundamente a atitude religiosa do continente.
Abaixo, alguns pensamentos e frases que dizem respeito às mulheres, a partir da visão masculina:
"Toda malícia é leve, comparada com a malícia de uma mulher." (Eclesiástico 25:26)
"Tu deverias usar sempre o luto, estar coberta de andrajos e mergulhada na penitência, a fim de compensar a culpa de ter trazido a perdição ao gênero humano... Mulher, tu és a porta do Diabo." (Quinto Tertuliano, escritor cristão, século III)
"Dentre as incontáveis armadilhas que o nosso inimigo ardiloso armou através de todas as colinas e planícies do mundo, a pior é aquela que quase ninguém pode evitar: é a mulher, funesta cepa de desgraça, muda de todos os vícios, que engendrou no mundo inteiro os mais numerosos escândalos." (Marborde, monge de Angers, século Xl)
"Toda mulher se regozija de pensar no pecado e de vivê-lo."(Bernard de Morlas, monge da Abadia de Cluny, século XII)
"A mulher é um verdadeiro diabo, uma inimiga da paz uma fonte de impaciência, uma ocasião de disputa das quais o homem deve manter-se afastado se quer gozar a tranqüilidade." (Francisco Petrarca, poeta italiano, século XIV)
"Que se leiam os livros de todos aqueles que escreveram sobre feiticeiros e encontrar-se-ão cinqüenta mulheres feiticeiras, ou então demoníacas, para um homem." (Jean Bodin, jurista, sociólogo e historiador, século XVI)
"Pois a Natureza pretende fazer sempre sua obra perfeita e acabada: mas se a matéria não é própria para isso, ela faz o mais próximo do perfeito que pode. Então, se a matéria para isso não é bastante própria e conveniente para formar o filho, faz com ela uma fêmea, que é um macho mutilado e imperfeito." (Laurent Joubert, conselheiro e médico inglês, século XVII)

Os cavaleiros medievais



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Cavaleiro era um homem de nascimento nobre que praticava a luta a cavalo. A lealdade e a coragem física eram as principais virtudes de um cavaleiro.
No início, para ser cavaleiro bastava possuir um cavalo e uma espada. Em troca de serviço militar, o cavaleiro recebia seu feudo, onde erguia uma fortaleza bastante primitiva. Pouco a pouco, porém, todo cavaleiro ficou obrigado a defender até a morte seu senhor feudal, sua fé em Deus e a honra de sua dama. Com isso, as condições para alguém chegar a cavaleiro passaram a ser mais rigorosas. O jovem nobre iniciava a aprendizagem aos sete anos, servindo como pajem em casa de um senhor, onde aprendia equitação e o manejo das armas. Aos quatorze anos esses jovens exerciam junto a seu protetor a função de criado doméstico e auxiliar de armas servindo à mesa, acompanhando-o à caça, participando de seus divertimentos, aprendendo as virtudes do homem do mundo. Ocupando-se de seus cavalos, limpando as armas e, mais tarde, seguindo-o nos torneios e nos campos de batalha, adquirindo os conhecimentos do homem de guerra. A partir do dia em que passam a exercer estas últimas funções até o momento da ordenação como cavaleiro, possuem o título de escudeiro. Aqueles que, por falta de sorte ,mérito ou ocasião não conseguem alcançar ordenação, guardarão este título por toda a vida, pois é apenas após a ordenação e a entrega do equipamento que se pode ostentar o título de cavaleiro.
Para ficar forte, tomava parte em corridas, em lutas livres e praticava esgrima. Para se preparar para torneios e combates, aprendia a "correr a quintana": tratava-se de galopar em grande velocidade em direção a um boneco de madeira e cravar-lhe a lança entre os olhos. O boneco estava munido de um pau e montado sobre um parafuso. Quem não o atingia bem com a lança apanhava com o pau nas costas.
Depois do tempo de aprendizagem, se o jovem fosse considerado preparado e digno, estava pronto para ser armado cavaleiro. Regra geral, a cerimônia em que o jovem 'cingia a espada' era celebrada pelo senhor junto de quem o novo cavaleiro tinha passado seus anos de aprendizagem.
Observa-se particularmente uma grande diferença entre as ordenações que ocorreram em tempos de guerra e as realizadas em época de paz. As primeiras sucedem num campo de batalha, antes do combate ou após a vitória; são as mais gloriosas, embora os gestos e as fórmulas estejam reduzidos à sua expressão mais simples: em geral a entrega da espada e a palmada no ombro. As segundas coincidem com a celebração de uma grande festa religiosa (Páscoa, Pentecostes, Ascensão) ou civil (nascimento ou casamento de um príncipe , reconciliação de dois soberanos). São espetáculos quase litúrgicos, tendo por cenário o pátio de um castelo, o pórtico de uma igreja, uma praça pública ou a relva de um pradoApós um banho ritual destinado a purificar-se de todo o pecado, o postulante colocava sua espada e sua armadura novas no altar da capela do castelo. Passava toda a noite de joelhos, em oração. Na manhã seguinte, depois da missa, era vestido com um traje de veludo bordado e entregavam-lhe oficialmente as esporas e a espada, seu cinturão de cavaleiro, a cota de malha, o elmo e por fim a lança e o escudo. Prostando-se aos pés de seu senhor, repetia os votos de cavaleiro - ser bom e generoso para com os amigos, vencer os traidores, renunciar ao mal, proteger a viúva e o órfão, servir seu senhor e cumprir seus deveres religiosos
O senhor dava-lhe então a pescoçada (também chamada palmada) com a mão ou a lâmina da espada no ombro ou no pescoço dizendo: "Em nome de Deus, de São Miguel e de São Jorge, eu te declaro cavaleiro". Então o jovem levantava-se: era cavaleiro e podia ter seu cavalo próprio e suas armas pessoais. O resto do dia era passado em festas e distrações.

Os dez mandamentos do cavaleiro

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I- Acreditarás em tudo o que a Igreja ensina e observarás todos os seus mandamentos.
II- Protegerás a Igreja.
III- Defenderás todos os fracos.
IV- Amarás o país onde nasceste.
V- Jamais retrocederás ante o inimigo.
VI- Farás guerra aos infiéis até exterminá-los.
VII- Cumprirás com teus deveres feudais, se estes não forem contrários à lei de Deus.
VIII- Nunca mentirás e serás fiel à palavra empenhada.
IX- Serás liberal e generoso com todos.
X- Serás o defensor do direito e do bem, contra a injustiça e contra o mal.

Vestimentas e armas de um cavaleiro

-Cota de malha
Túnica metálica feita de pequenos anéis de ferro ou aço enfiada como uma camisa que adere o corpo por um cinturão, desce até os joelhos e e aberta na frente e atrás para facilitar a subida no cavalo.

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-O elmo
O elmo tem a função de proteger a cabeça do cavaleiro. Com o passar do tempo foi se modificando até, por, fim proteger totalmente a face e possuir abertura apenas para os olhos e respiração.

-O escudo
O escudo tem a forma de uma grande amêndoa que se curva ao longo de seu eixo vertical, e termina numa ponta que possibilita fixá-lo no chão e utilizá-lo como abrigo. As dimensões são de fato consideráveis: cerca de um metro e meio de altura e setenta centímetros de largura, cobre inteiramente o combatente, do queixo ao dedo dos pés, servindo como maca após a batalha. A parte exterior é de couro ou algum tecido nobre, pode ser pintada com figuras que representam o cavaleiro. No caso dos Cruzados, utilizava-se uma cruz pintada em vermelho sobre o branco.
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-A espada 
A espada é arma do cavaleiro por excelência. É composta pela lâmina, o punho e o botão de punho.

-A lança 
A lança é uma arma de estocada. Tem cerca de três metros de comprimento e pesa dois quilos, o que impede que seja arremessada. Pode ser feita de macieira, abeto, ou outra madeira resistente.

Vestimentas e armas de um escudeiro

-Machado
-Capacete de ferro
-Arco
-Besta
-Espada
-Venábulo
-Jaqueta reforçada 

Como era em um castelo


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Muitos de nós imaginamos que a vida em um castelo medieval era luxuosa, os nobres cheios de jóias e vestindo os mais belos e finos tecidos. Mas, ao contrário de tudo isso, a vida em um castelo não era tão fácil assim.
Trabalho era o que não faltava. Além do mais, a vida naquela época não era muito confortável. Não havia aquecedores, a não ser a lareira nos castelos dos nobres senhores feudais. Os servos, soldados e outros se viravam com pequenos candeeiros e passavam muito frio nas frias noites medievais.
O senhor e sua família tinham mais conforto; usavam grossos cobertores, colchão de plumas, cobertas de pêlos de animais e tapeçarias cobrindo as paredes para amenizar a umidade e os ventos, enquanto os residentes de menos estatus freqüentemente dormiam nas torres com algumas roupas não muito grossas e tendo apenas o calor humano para se aquecer. Os empregados pessoais do senhor e da senhora tinham o privilégio de dormir próximo a seus quartos. Embora dormissem no chão, usando uma coberta, podiam se aquecer um pouco com o calor da lareira.
Mesmo durante os meses mais quentes do ano, o castelo era um lugar úmido e seus residentes passavam a maior parte do dia ao ar livre. Na maior parte do tempo usavam um tipo de coberta para se envolver e manter-se aquecido durante o trabalho. Os banhos eram tomados em barris de madeira transportáveis, então o sol podia aquecer a água e o banhista. A privacidade era garantida com uma tenda ou cobertura.
O dia começava com o nascer do sol. Assim que o senhor e a senhora acordassem, seus empregados já se dirigiam a seus quartos e o varriam, esvaziavam o urinol e as lavadeiras começavam seu trabalho. Tomavam o café-da-manhã e logo após, o senhor e sua família se dirigiam  à capela, para a missa da manhã. Após a missa, o senhor começava seus afazeres. Quando estava presente no castelo, era ele o administrador chefe. Seu poder era político, judicial, fiscal e também incluía a defesa de seu território. Assim como seu rei, ele poderia punir as pessoas, coletar impostos e até mesmo cunhar suas próprias moedas. Quando suas obrigações o levava a se ausentar do castelo, o que era freqüente, um outro administrador cuidava de seus afazeres.
A senhora do  castelo era servida por suas damas de companhia e camareiras. Ela passava a maior parte do dia supervisionando seus empregados na cozinha e na costura de roupas. Ela também era responsável pela educação dos pajens que iam ao castelo, com a idade de sete anos,  para aprender religião, música, dança, caçar, ler e escrever, antes de iniciarem seus aprendizados na cavalaria.
Os castelos não ofereciam conforto a seus moradores. Eram frios e mal-iluminados, com piso de terra, coberto de junco ou palha para diminuir a umidade. O mobiliário rústico limitava-se geralmente a uma mesa arrumada sobre cavaletes e a um grande baú, no qual se guardava quase tudo (roupas, armas e outros objetos). Os animais (cães, cavalos) andavam livremente pelo castelo. Eram lugares barulhentos e mal-cheirosos. Os ferreiros faziam seus serviços, os soldados praticavam suas técnicas, e as crianças brincavam após o término das lições. Muitos outros trabalhavam nos arredores do castelo como os sapateiros, os fabricantes de armas, os que faziam barris e machados, por exemplo.
A vida nos castelos medievais era realmente muito cansativa, por isso, eles compensavam nos feriados, quando os senhores e seu empregados aproveitavam ao máximo para poder relaxar e esquecer um pouco do estresse da vida cotidiana.